(Reflexões) Ditadura militar no Brasil: ainda tem quem a defende

Por: Ieda Alkimim  25/05/2012

Se aproxima o lançamento do meu livro Retratos do Passado, que, além de narrar sobre as sequelas deixadas por quem foi torturado durante o regime militar no Brasil, levará o leitor a refletir sobre a capacidade humana frente a dor, saudade e incertezas de quem perdeu seus entes queridos naquela época. Entretanto, outro fator considerado na obra, e, não menos importante, refere-se as questões políticas e econômicas do país no que tange a abertura da CPI das Indenizações às vítimas da ditadura.

Um livro que exigiu, apesar do fundo de pano romanesco, estudo e pesquisa de campo, com entrevistas com sobreviventes daquele famigerado período. Particularmente, toda pesquisa, análise de pontos de vistas diferenciados dos historiadores e estudiosos, verifiquei vários documentos, boletins de ocorrências e narrativas que foram cruciais para entender como a luta pela democracia foi dura e às custas de muitas vidas.

No entanto, ainda tem pessoas que defendem a volta do regime militar, considerando que os mortos naquele período não passaram de um bando de arruaceiros. Lendo sobre uma dessas pessoas, infelizmente pública, em entrevista concedida para a Revista Época de Julho/2011, o Deputado Jair Bolsonaro afirmou que é mentira que o regime militar foi uma ditadura. Segundo o deputado, a adoção do regime foi adotado por anseios da Igreja, todos os segmentos da sociedade e da mídia.

Bem, se todos os segmentos da sociedade aprovaram o regime, porque foi necessário vários golpes de Estado para sua permanência? Se era aceito pela sociedade, porque cem mil pessoas fariam passeata pelo fim do regime? Se o regime militar foi uma mentira então devemos queimar em praça pública todos os livros de história e todos os depoimentos de arquivos registrados nos anais da policia do exército e dizer que todas as vítimas daquele período não existiram, inclusive o jornalista Wladimir Herzog, suspeito de ter ligações com o Partido Comunista do Brasil (PCB), e que atendeu voluntariamente a convocação para depor dentro do do DOI/CODI - Destacamento de Operações e Informações e Centro de Operações de Defesa Interna - e não saiu vivo de lá, morre e se divulga descaradamente a velha versão de suicídio, baseado em laudos fraudados que a sociedade teve que engolir e que até hoje o crime não foi devidamente esclarecido. Como somos estúpidos e ignorantes Senhor Deputaldo!

Sinceramente, não devemos dar a esse deputado muito crédito, levando em consideração que ele é um militar da reserva e ex capitão do Exército! Mas temo que suas idéias contaminem nossa recente democracia e leve muitos a acreditarem que não houve torturas e mortes durante o período militar. Não houve, como escreveu Emir Sader em 1985, para um conjunto das classes dominantes, “concumunada” com o regime militar, que não sofreram na pele as várias formas de tortura e se deixavam levar pela mídia controlada pelo governo. Isso não é de se admirar, visto que ainda tem pessoas que acreditam até que não existiu campos de concentração do regime nazista! Temo também porque cogitar a volta do regime militar, implicaria num grande retrocesso de liberdade, retornando à censura, à falta de direitos políticos, civis e sociais, e essa pessoa que vos escreve e tantos outros pensadores contemporâneos, seriam com certeza assassinados dentro de uma prisão qualquer, e depois falariam que foi suicídio!

Jair Bolsonaro: Para saber quem é o deputado e outro palarmentar do Brasil, acessem WWW.exelencias.org.br (não se assustem com o que vocês verão sobre nossos governantes, porque é puramente a verdade apesar de inacreditável). Meus queridos leitores, sejam curiosos sempre, pesquisem, descubram, informem-se .

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